Programa de Extensão em Teatro ligado ao Departamento de Arte e Cultura da PREC. Contatos: nucleoteatro.ufpel@gmail.com
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Pós-Fausto e o Teatro Precário
MANISFESTO POR UM TEATRO PRECÁRIO, por Adriano
Moraes
No primeiro caminho o ator se torna um
produto do gosto de empresas, de modismos (mercantis ou acadêmicos), de si
próprio em função de sua falta de exercício técnico e pela vontade de aparecer
mais do que a de realizar uma ação sincera e profunda. O segundo caminho é
muito próximo daquilo a que Grotowski denominou de ator santo. Um sujeito que se dedica ao diálogo com sua cultura
ancestral e nisso descobre-se como sujeito portador de uma memória da
humanidade. Como ator santo não
representa aquilo que o gosto exige, mas aquilo que lhe é vital. E vital aqui
quer dizer sincero, real, carnal. Na carnalidade exposta o ator se apresenta
como o homem que faz da vida uma prece e assim se apresenta como temporário,
como não possuidor de verdades absolutas, mas como um sujeito que encara sua
própria precariedade a precariedade de toda a sua vida.

Precário quer dizer desnudo. Precário
quer dizer inteiro.
O Fausto, mito próximo ao de Prometeu,
por possuir em sua estrutura principal o desejo de domínio do conhecimento pelo
homem em detrimento do poder divino, serve de lugar para o exercício dessa
precariedade. Mais do que o Fausto moderno, o Pós-Fausto ou o Fausto Pós-moderno, é o sintoma de um homem que,
imerso em fluxos cada vez mais vultosos de informações, decide pelo mergulho em
si mesmo como forma de manter vivo no homem aquilo que lhe é sempre novo: o
contato com o mistério de sua finitude.
TEATRO PRECÁRIO E A INTERPRETAÇÃO DO PÓS-FAUSTO, por Elias Pintanel
A solidão do ator só é
completa quando há o encontro do ator com o espectador. Neste momento é que o
efêmero pode acontecer. O ator trabalha para que no momento desse encontro tudo
convirja para que o seu ato, perante aos outros, seja o mais vivo possível. O
ator, como diz Grotowski, sacrifica-se perante o espectador. Com toda a sua
fragilidade, com todos seus medos, com todos seus músculos, com cada
respiração. Naquela pequena área de jogo o ator utiliza toda a sua força para
poder se aniquilar. Desgastar-se. Morrer.

Pós-Fausto é como um duelo. De um lado um sujeito com todas
as suas máscaras criadas, de carne e osso. Do outro lado, mas não oposto, os
mesmos ossos e carnes. O duelo é frequente. O mesmo sujeito lutando contra si
mesmo. A cada duelo uma máscara é arrancada e outra surge. Outra se mancha de
sangue e ganha uma cicatriz permanente. De cada duelo que é travado surge um
mistério: qual foi a máscara desta vez?
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