terça-feira, 30 de abril de 2013

Alívio Imediato faz temporada em maio

  



O experimento poético “Alívio Imediato” do Núcleo de Teatro Universitário da UFPel foi criado a partir de uma pesquisa intitulada “O Trabalho do Ator com Síndrome de Asperger”, desenvolvida pelo graduando em Teatro Carlos Eduardo Pérola, sob a orientação do professor Adriano Moraes.
Carlos é o único ator em cena. O experimento acontece numa casa – a sede do Núcleo de Teatro – e, ao longo da apresentação, o público se vê conduzido pelo ator através de diferentes cômodos transformados em cenários, onde as cenas acontecem.
Alívio Imediato pode ser visto como uma grande brincadeira onde o ator se diverte ao pronunciar cada palavra, ao emitir cada som, ao realizar cada gesto, cada movimento, não se importando com o significado do que se está sendo dito e nem mesmo com o uso de uma língua específica. Desse modo, ou seja, divertindo-se de maneira sincera diante dos espectadores, o ator possibilita que os mesmo se divirtam também. O público, assim, participa também da brincadeira, “aliviando-se” junto com o ator.
O título Alívio Imediato faz referência ao sentimento de “alívio” que o Teatro proporciona ao ator portador da Síndrome de Asperger. Tal síndrome faz com que o indivíduo tenha dificuldade para se comunicar e interagir com as pessoas no dia a dia. No teatro, porém, essas dificuldades são amenizadas. O fato de o Teatro acontecer numa dimensão diversa à da “vida real” permite ao indivíduo realizar no Teatro coisas que geralmente lhe são difíceis de realizar fora dele.
A dramaturgia do experimento é de Adriano Moraes; direção de Adriano Moraes e Elias Pintanel; cenários e figurinos de Marcelo Silva.
Alívio Imediato estreou em outubro de 2012 e desde então já foi visto por cerca de 80 espectadores ao longo de sete apresentações. Cada sessão do experimento poético pode ser vista por 10 espectadores.
Informações e reservas: ufpel.teatro@gmail.com


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pesquisa em Artes Cênicas


GRUPO DE PESQUISA EM ARTES CÊNICAS ABRE VAGAS PARA NOVOS INTEGRANTES

O Grupo de Estudos e Pesquisas Sobre Processos Criativos em Artes Cênicas, coordenado pelo prof. Dr. Adriano Moraes de Oliveira, abre vagas para interessados em contribuir com a pesquisa “Grupos teatrais em atividade no extremo sul do RS: mapeamento das práticas criativo-formativas”, em andamento com apoio do CNPq.
A pesquisa tem como objetivo mapear as rotinas de trabalho de grupos de teatro da região sul do Rio Grande do Sul para estimular a construção e/ou reconstrução de projetos pedagógicos dos grupos pesquisados por meio de experimentos poéticos. O projeto visa também a criação de um espaço virtual que sirva de lugar de intercâmbio entre os grupos de teatro pesquisados e no qual possa haver um fórum permanente de discussão, difusão e produção de conhecimento. Os resultados da pesquisa serão organizados numa publicação objetivando a ampla divulgação nos cursos de teatro de Universidades brasileiras.
Em 2012 a pesquisa teve como foco de trabalho estabelecer contato com as cidades. Com isso, foi realizado um levantamento das cidades que apresentam um movimento teatral e artístico e de nomes dos artistas e agentes culturais dos municípios. 
Nesse ano o objetivo da pesquisa é ampliar o contato com as cidades realizando ações que objetivam a discussão, difusão e produção do conhecimento gerado pela pesquisa. Criando assim uma rede de produção teatral entre as cidades da região Sul do Rio Grande do Sul.
Para se candidatar ao Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Processos Criativos em Artes Cênicas é necessário enviar uma carta de apresentação para o e-mail: ufpel.teatro@gmail.com. Os encontros do Grupo de Pesquisa acontecem todas as quartas-feiras, das 9h às 12h, na Rua Andrade Neves, 1149, Pelotas/RS. Não é necessário haver um vínculo com a Universidade Federal de Pelotas. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Pós-Fausto e o Teatro Precário


MANISFESTO POR UM TEATRO PRECÁRIO, por Adriano Moraes

 
         As ideias de teatro, teatralidade, performance, performatividade têm sido debatidas há mais de duas décadas de forma efusiva. Cenas em que as ações representadas se aproximam de modo muito próximo à realidade não causam mais um estado de choque nos nossos espectadores. A cena, num contexto de hiperlinks, cyber cultura, informacionista e por isso mesmo menos reflexivo em função da velocidade com que nos chegam informações as mais variadas, se torna cada vez mais o lugar do exercício daquela solidão em público da qual tratou Stanislavski. Assim, ao ator cabem dois caminhos principais: 1. enveredar-se pelo espetáculo, isto é, pelo jogo social do qual se vale a indústria da arte para fazer do teatro também um produto pret-a-porter; ou 2. manter em seu ofício naquilo que é mais sagrado na arte efêmera do teatro, a saber, o seu desempenho sincero frente a espectadores.
         No primeiro caminho o ator se torna um produto do gosto de empresas, de modismos (mercantis ou acadêmicos), de si próprio em função de sua falta de exercício técnico e pela vontade de aparecer mais do que a de realizar uma ação sincera e profunda. O segundo caminho é muito próximo daquilo a que Grotowski denominou de ator santo. Um sujeito que se dedica ao diálogo com sua cultura ancestral e nisso descobre-se como sujeito portador de uma memória da humanidade. Como ator santo não representa aquilo que o gosto exige, mas aquilo que lhe é vital. E vital aqui quer dizer sincero, real, carnal. Na carnalidade exposta o ator se apresenta como o homem que faz da vida uma prece e assim se apresenta como temporário, como não possuidor de verdades absolutas, mas como um sujeito que encara sua própria precariedade a precariedade de toda a sua vida.
         Pensar em teatro precário, portanto, quer dizer que o que fazemos não busca agradar o gosto, mas evidenciar a ação naquilo que ela tem de mais insegura: sua finitude. A ação, desse modo, não pode mais ser dramática, pois não há continuidade possível: o que se apresenta é um jogo composto de movimentos, silêncios, rupturas, equilíbrio e desequilíbrio. A precariedade, como uma prece a si mesmo, busca num longo exercício de revisitação daquelas estruturas matriciais (maternais, patriarcais, enfim, culturais) que nos autoriza a dizer “sou”. O que ocorre, entretanto, em um teatro precário é que o “sou” não é estável, mas, cedendo lugar ao “estou”, revela a efemeridade mais ingênua da própria arte do teatro presente em todas as culturas, mesmo que em uma ínfima parte da infância de todos nós.
                                      Precário quer dizer desnudo. Precário quer dizer inteiro.
 
         O Fausto, mito próximo ao de Prometeu, por possuir em sua estrutura principal o desejo de domínio do conhecimento pelo homem em detrimento do poder divino, serve de lugar para o exercício dessa precariedade. Mais do que o Fausto moderno, o Pós-Fausto ou o Fausto Pós-moderno, é o sintoma de um homem que, imerso em fluxos cada vez mais vultosos de informações, decide pelo mergulho em si mesmo como forma de manter vivo no homem aquilo que lhe é sempre novo: o contato com o mistério de sua finitude.

TEATRO PRECÁRIO E A INTERPRETAÇÃO DO PÓS-FAUSTO, por Elias Pintanel
A solidão do ator só é completa quando há o encontro do ator com o espectador. Neste momento é que o efêmero pode acontecer. O ator trabalha para que no momento desse encontro tudo convirja para que o seu ato, perante aos outros, seja o mais vivo possível. O ator, como diz Grotowski, sacrifica-se perante o espectador. Com toda a sua fragilidade, com todos seus medos, com todos seus músculos, com cada respiração. Naquela pequena área de jogo o ator utiliza toda a sua força para poder se aniquilar. Desgastar-se. Morrer.
A interpretação começa a partir do trabalho sobre si mesmo. É neste momento que o ator começa a entrar em contato com aquilo que ele deve romper ou conviver. Tudo o que constitui o ator faz parte de sua interpretação. Inclusive da sua própria. O “sou/estou” não é definitivo, é como o teatro que é efêmero: vivo para renascer sempre outro.
         Pós-Fausto é como um duelo. De um lado um sujeito com todas as suas máscaras criadas, de carne e osso. Do outro lado, mas não oposto, os mesmos ossos e carnes. O duelo é frequente. O mesmo sujeito lutando contra si mesmo. A cada duelo uma máscara é arrancada e outra surge. Outra se mancha de sangue e ganha uma cicatriz permanente. De cada duelo que é travado surge um mistério: qual foi a máscara desta vez?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

TEMPORADA 2012-2


20 de setembro

Espetáculo: “Piratini canta os Farrapos”

Sinopse: Bento Gonçalves, um dos principais articuladores do movimento Farroupilha, acaba de morrer. O ano é 1847. Após saber da morte de seu líder, o povo de Piratini se reúne na sede do Governo da primeira Capital da República Rio-Grandense para prestar sua última homenagem. Em vez de chorar, os Piratinienses se juntam em coro e contam e cantam a história da República Rio-Grandense como um tributo a Bento Gonçalves.  A sede do governo serve de cenário para que o ideário Farroupilha seja lembrado como herança não apenas a Piratini, mas ao povo de todo o Rio Grande. Cada memória serve para que, ao final, todos compreendam que os ideais de Bento fazem parte de todos os presentes. Com isso, o rito termina em comemoração, pois Bento vive em cada um dos presentes e Piratini é seu principal símbolo, pois guarda em seu imaginário a herança do bravo general e dos ideais Farroupilhas: a liberdade, a igualdade e a humanidade.

Interpretação: Núcleo de Artes Piratiniense

Texto e direção: Adriano Moraes e Elias Pintanel

Local: Museu Barbosa Lessa (Piratini)

Horário: 15h

27 de setembro

Espetáculo: “Quando as máquinas param“, de Plínio Marcos

Sinopse: Zé e Nina são casados. Moram em um barraco em uma região de uma periferia qualquer. Zé está desempregado. Nina faz pequenos trabalhos como costureira: única renda do casal. A relação desse casal é permeada por um misto de amor conjugal e repulsa pela situação de crise econômica. A crise vence quando Nina declara a Zé que está grávida. É nesse momento que o tempo para os dois fica estático: como uma máquina que para repentinamente.

Interpretação: Elias Pintanel e Giovanna Hernandes

Direção: Adriano Moraes

Local: I Semana Acadêmica de Estética Moderna e Contemporânea

Horário: 22h

28 e 29 de setembro

Espetáculo: “Pós-Fausto”, de diversos autores

Sinopse: Fausto é o mito moderno do homem em busca do conhecimento supremo. O que impede essa façanha é outro conjunto mítico: o dogma da existência de Deus. O mito de Fausto é revisitado a partir de textos de Goethe, Paul Valèry, Fernando Pessoa, Nietszche e Jorge Luis Borges. O Pós-Fausto é um homem ainda em busca de conhecimento, não mais de um conhecimento absoluto, mas de fragmentos como totalidade de conhecimento. Pós-Fausto é uma tragédia subjetiva.

Interpretação: Elias Pintanel

Direção: Adriano Moraes

Local: Núcleo de Teatro da UFPel (Andrade Neves, 1149)

Horários: 23h (sexta) e 21h (sábado)

05 e 06 de outubro

Espetáculo: “Quando as máquinas param”, de Plínio Marcos

Sinopse: Zé e Nina são casados. Moram em um barraco em uma região de uma periferia qualquer. Zé está desempregado. Nina faz pequenos trabalhos como costureira: única renda do casal. A relação do casal é permeada por um misto de amor conjugal e repulsa pela situação de crise econômica. A crise vence quando Nina declara a Zé que está grávida. É nesse momento que o tempo para os dois fica estático: como uma máquina que para repentinamente.

Interpretação: Elias Pintanel e Giovanna Hernandes

Direção: Adriano Moraes

Local: Núcleo de Teatro da UFPel (Andrade Neves, 1149)

Horários: 23h (sexta) e 21h (sábado)

11 e 12 de outubro

Espetáculo: “Alívio imediato”, de diversos autores

Sinopse: O que fazer quando a fala é espontânea apenas em lugares em que a espontaneidade é quase nula? Esse é um espetáculo de um ator com Asperger: o que é dificuldade no dia a dia torna-se um alívio no jogo teatral. Aliviar-se é sinônimo de fala aberta, de gritos, de risos, de choro... enfim, de tudo aquilo que a síndrome de Asperger impõe como limite: o uso fluente da comunicação verbal e não verbal. Os textos ditos não tem tanta importância quando o que realmente importa é a comunicação direta, rápida, imediata.

Interpretação: Carlos Eduardo Pérola

Direção: Elias Pintanel

Local: Núcleo de Teatro da UFPel (Andrade Neves, 1149)

Horários: 23h (quinta) e 21h (sexta)

19 e 20 de outubro

Espetáculo: “O mentiroso”, de Jean Cocteau

Sinopse: Um homem quer sempre dizer a verdade. No entanto, por intimidade com os discursos do cotidiano, é sempre impelido a mentir. Entre a mentira e a verdade está a aparência daquilo que o tecido social deseja. Entre mentir e dizer a verdade há um abismo chamado diálogo. O mentiroso é constituído de uma série de histórias que procuram revelar o suave limite entre o que aconteceu e aquilo que poderia ter acontecido. Trata-se mesmo de um jogo de imaginação em que o dito é mero pretexto para as cenas que configuram o dia a dia de todos nós.

Interpretação: Rodolfo Furtado

Direção: Elias Pintanel

Local: Núcleo de Teatro da UFPel (Andrade Neves, 1149)

Horários: 23h (sexta) e 21h (sábado)

26 e 27 de outubro

Espetáculo: “Sylvia”, de diversos autores

Sinopse: Uma mulher revela suas paixões, suas fraquezas, seu senso de humor diante daquilo que mais a aflige: o espelho. A condição de ser mulher faz com que transite entre muitos papéis em que a fragilidade, a força, a memória de sua tradição são os elementos mais importantes. Nesse jogo com o espelho vai expondo um a um todos os seus desejos. Enquanto faz isso, possibilita que cada um de nós também remexa nessa noite escura que é a memória.

Interpretação: Giovanna Hernandes

Direção: Elias Pintanel

Local: Núcleo de Teatro da UFPel (Andrade Neves, 1149)

Horários: 23h (sexta) e 21h (sábado)

09 e 10 de novembro

Espetáculo: “Lua Nua”, de Leilah Assunção

Sinopse: Essa comédia retrata as histórias de Silvia, Lúcio e Dulce: mulher, marido e empregada. O tempo é o de uma manhã em que tudo dá errado: a empregada se atrasa no mercado, o filho ainda dorme e pode acordar aos berros por causa da fome, o carro está na oficina, ambos têm reuniões importantes... Essa tensão é tomada como pretexto para que os papeis de mulher, mãe, marido, pai, empregada sejam discutidos por meio de um rápido jogo de diálogo em que o riso é fruto da própria experiência com cada uma dessas situações que se fazem presentes na maior parte das casas.

Interpretação: Vívi Famil, Rodolfo Furtado e Carlos Eduardo Pérola

Direção: Adriano Moraes e Elias Pintanel

Local: Núcleo de Teatro da UFPel (Andrade Neves, 1149)

Horário: 23h (sexta) e 21h (sábado)