Programa de Extensão em Teatro ligado ao Departamento de Arte e Cultura da PREC. Contatos: nucleoteatro.ufpel@gmail.com
terça-feira, 25 de julho de 2017
Intervenção urbana "Onqotô"
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Assuma suas vontades!
A jornada me transformou. Ter ido até o evento de estudos teatrais em Blumenau, na semana passada, chamou a minha atenção e admiração em alguns pontos. Primeiro era o ambiente instalado. Pessoas de vários lugares do Brasil foram lá mostrar os seus trabalhos, suas pesquisas dentro do campo teatral. As falas tinham peso, o olhar tinha convicção e o ambiente estava tomado por uma sensação, ou sentimento: “Eu faço teatro! Eu pesquiso teatro! Vivo, sobrevivo de teatro! E morrerei fazendo teatro!” As pessoas que se encontraram no evento, ou estavam terminando o doutorado, ou terminando o mestrado. Eu era um dos poucos (eu não achei outra pessoa lá, na verdade na mesma ‘casta’ universitária que eu) que está ainda na graduação na jornada toda. Isso de fato me deixou numa situação de desconforto, mas ao mesmo tempo feliz, por estar ali, e ter aprendido tanto em apenas dois dias.
O segundo ponto era o ambiente em si também! O terceiro ponto também, o quarto, o quinto, o milésimo ponto! Todos! As pessoas falavam de teatro, sobre seus estudos, seus trabalhos, peças que viram. Era teatro correndo nas veias, saindo da alma pelo corpo inteiro.
Sinceramente, o lugar me fez lembrar Grotowski, Stanislavski, Artaud, Zé Celso, Antunes Filho, Brecht, todos os mestres, todos os grandes atores, porque as pessoas que lá estavam tinham algo em comum com todas essas figuras (e outras não mencionadas): o amor ao teatro. A entrega total, o querer, a vontade de fazer e assumir essa condição de: EU FAÇO TEATRO!
Texto de Elias Pintanel
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Pra que serve?
Silêncio e olhares de fuga, aqueles de alunos que ficam se escondendo do professor para não serem chamados à resposta, foi o que seguiram a pergunta que não quer calar...
É engraçado, essa rotina de trabalho intensa; a busca pela plasticidade corporal, o descobrimento de ações físicas, os textos para escolher e decorar, as tragédias para ler, a prova para estudar, o fichamento para fazer, os projetos paralelos, os... , as..., e... seu corpo dói, sua cabeça está cansada, mas você está feliz, afinal, está fazendo o que sempre quis. A dor e a exaustão trazem uma sensação boa de dever cumprido, mas aí vem a pergunta, o silêncio e a dúvida.
Certa vez, depois de um desabafo cansado, um amigo me acalantou dizendo: a vida é assim, você tem que trabalhar, tem que acordar cedo, ser bom no que faz, ganhar dinheiro, poder ter um plano de saúde e poder, também, pagar um para os filhos que você pode vir a ter, se você ganha mesada, sua mãe não vai durar para sempre, e nem é isso que você quer, ou é? Então se acostume com a correria, uma hora não dói mais. De fato, nem dói mais, mas, tudo isso pra que?
O médico cuida da sua saúde, o engenheiro constrói o apartamento que você mora, o advogado tira você da cadeia, até o político, se não for corrupto, cuidará do seu bem-estar, e o ator? Afinal, Para que serve o teatro?
Ingênua e genuinamente sempre quis mudar o mundo, fazer um mundo melhor, mais justo, com pessoas mais justas, mais sensíveis, mais felizes. O teatro seria o veículo ideal para a disseminação desses ideais, o que seria mais perfeito do que reunir um grupo de pessoas com pensamentos pares e mudar o mundo através da arte? Cutucar a sociedade, despertar as pessoas que vivem suas vidas como robôs, no automático, não olham para o lado, não fazem amor, não são felizes e tentam “comprar” a sua felicidade.
Foi então, que numa discussão a cerca da necessidade do teatro, meu orientador disse que o teatro não mudava nada, justificando propondo um reposicionamento do meu olhar, perguntou o que acontecia quando eu visitava uma galeria de arte, se ao ver um quadro aquilo mudava minha vida, se depois de ver um filme eu não apenas ficasse tocada, mas de fato passasse agir diferente... não deve ter pingado em ninguém pois fiquei bem murchinha depois desse balde de água fria que me jogaram por cima. Murcha, mas não resignada, é exatamente a realidade que não nos satisfaz que queremos e devemos mudar.
Sim, tive que concordar; um quadro, um filme, uma peça não muda minha vida, mas então como explicar que filha de mãe médica, pai médico, padrasto médico, irmãs médicas, dindo médico, sem nenhum estímulo ou contato com arte além de fraquíssimas aulas de educação artística no ensino fundamental, que mais são um momento de recreação pra “encher lingüiça” no currículo escolar, sem nenhuma pré-disposição a mudar ou ser mudada, constrói uma aptidão tão grande por teatro e arte? Freud explica? Prefiro acreditar que não uma, mas duas ou três peças, quadros, filmes, músicas e principalmente pessoas podem sim, mudar uma vida.
A pergunta que não quer calar não encontra agora nem tão cedo encontrará uma resposta. Por enquanto sigo com a minha visão romântica de teatro, exercitando meu corpo e minha mente para mudar, sim, a sua vida, como um vírus que está só a espera da sua resistência baixar para tomar conta de todo o seu corpo. Quer se contaminar?
*dedico esse post a duas professoras que de repente nem tem idéia de quanto foram importantes na construção da minha personalidade, Tânia (física) e Marise (matemática).
Texto de Martha Grill
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Fogo!

Faz tempo que não escrevo. Mas estava esperando o meu dia de atualizar o blog. Reformulamos no Núcleo, na sexta passada, o treino. Que ficou mais claro. O grupo ainda esta se adaptando ao treino, que é feito por oito pessoas numa sala não muito grande. O treinamento agora é composto por uma hora, mais ou menos, de alongamento e aquecimento. E mais uma hora de dança dos ventos – fazendo o giro no final, em ritmo de dança dos ventos.
Ainda percebo todas as minhas travas, e meus avanços nesses dois anos treinando. Mas não quero falar sobre isso agora...
...
Adoro todas as pessoas que demonstraram amor a vida e a arte, através de palavras, gestos, traços, notas, beijos, abraços, gritos, sangue (‘Até a última gota de sangue negro!’, falava Artaud com Van Gogh), tapas... Todas as formas e não formas de extrair a essência da vida, ou do espírito humano, seja como você queira.
Grotowski fala do sacrifício do ator em cena. Ator que se sacrifica. Que mostra a ferida aberta, o pilar de sustentação que segura todo o seu poder de existência, que no fundo guarda os seus medos, suas mentiras, suas máscaras mais sujas, e as mais limpas. Leves. Soltas.
Com isso, os espectadores o vê queimar.
(E o espaço cênico agora é uma fogueira. Os atores têm os corpos flamejantes. Toda a sala esta escura, e apenas lá no meio, grandes chamas vermelhas começam a queimar. Transmitem calor, e a brasa é forte! E linda! Todos que presenciam o momento estão iluminados. Não é um lugar sagrado, não tem religião ali, não tem santos, nem nada. Mas acontece alguma coisa. Algo que não tem palavras. Perto do divino? Acima do Céu? Catarse? Êxtase? Teatro! Atores e espectadores queimam! O fogo se faz! Se alastra, e não morre. Não vira cinza. Nunca!)
O que é a entrega total?
Pergunto-me já sabendo da resposta, intelectualmente falando.
Por isso tem que ser corporalmente.
Os meus pilares de sustentação se mostraram nessas duas últimas semanas.
Foi uma crise. É complicado pegar sua fraqueza, estender ela a um desconhecido, e deixar que este espete com uma faca aquilo que dói só pelo fato de já existir.
Você teria coragem?
Entrega total! Puro sacrifício.
Toca Tchaikovsky agora, enquanto escrevo esse pequeno depoimento.
Espero que minhas palavras tenham feito surgir alguma coisa em vocês, pois Tchaikovsky está em erupção!
Não fique tranquilo. Queime!
Texto de Elias Pintanel
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Experiência
Neste texto, eu, Tatiana dos Santos Duarte, apresento um breve relato sobre minha trajetória com o teatro: minhas experiências, frustrações e tudo aquilo que me motivou a entrar neste mundo das artes cênicas.
Meu contato inicial com teatro foi em 1998, no grupo chamado Cacilda Becker da cidade de Rio Grande, onde residia. Comecei a freqüentar esse grupo por influência de minha irmã. Ela já estava no grupo há algum tempo e me convidou para assistir a um ensaio. Vi que pela minha timidez teria um enorme desafio para desenvolver esse tipo de trabalho.
Lembro-me do primeiro ensaio que assisti: minha irmã e todos do grupo estavam ensaiando. Fiquei observando. Percebi uma concentração de todos no trabalho. Uma espécie de concentração total, relacionada com o espaço físico (o palco e o corpo). Todos estavam totalmente entregues ao que estavam fazendo. Eu, muito tímida, não conseguia ficar à vontade com meu próprio corpo. Entretanto, fiquei encantada. O que era realmente aquele estado? Como eles conseguiam ficar tão entregues?
Desse modo, entrei no desafio de fazer teatro. Estavam ensaiando um musical: Feminino ao Plural, as Frenéticas, com a direção de Andre Loureiro. Tivemos muitas dificuldades. Eu, particularmente, de encarar horas de ensaio. Alguns ensaios eram terrivelmente fracos, outros maravilhosos. Mas aquele encantamento inicial dizia que eu devia ter persistência. Resultado: fiquei nesse grupo por cinco anos.
Quando tive experiências com outros grupos, percebi que era necessário uma adaptação. Cada um desses grupos que entrei possuía uma forma de trabalho diferente. Mas, havia um ponto em comum: todos enfatizavam o texto. Minha maior dificuldade era memorizar textos. Com um pouco de estudo dos textos meu problema de memorização era minimizado.
Quando conheci o diretor João Bosco B., para mim um dos artistas que mais me influenciou na minha formação de atriz. João trabalha com Performances Escatológicas. Fazíamos muitas intervenções pelas ruas. Tudo, para mim, era diferente, pois ficávamos muito expostos aos espectadores: suas histórias de vida, seus conhecimentos específicos, etc. Tinha dúvidas sobre como o público podia entender o que estávamos tentando comunicar. Nosso principal tema eram as taras humanas e o caos que, de certo modo, governa uma sociedade. A relação com o público era muito intrigante. Apresentamos, com esse diretor, os Assassinos. Esse trabalho foi apresentado em palco italiano. Diferente das performances, mas usamos todos os espaços: desde o palco à platéia. Os Assassinos tinha um figurino bem ousado. Também tinha um texto forte. Colocamos no texto o cinismo da humanidade em foco.
Agora, no curso de Teatro e no Núcleo de teatro da UFPel, começo a compreender que o estabelecimento de uma disciplina de trabalho é fundamental para a formação do ator. É preciso treinar o corpo, a voz, e constantemente construie e desconstruir nossos trajetos, para com isso explorarmos ao máximo nossas potencialidades.
Com o estabelecimento de uma disciplina estou criando uma técnica. Antes era puro instinto. Agora, com todos esse estudos (não apenas no Núcleo, mas também no âmbito do curso de Teatro) estou ampliando minhas possibilidades de criação atoral. Antes era tudo muito solto, vago.
Estou, no curso de Teatro e no Núcleo de Teatro, vivenciando o teatro mais intensamente. Percebo que ao acentuar meus estudos tanto teóricos, quanto corporais, estou adquirindo uma técnica. As ações físicas conformam o foco principal no desenvolvimento do meu trabalho: “ a ação que é explorada em mim que reflete nos outros”
Além de ter um hábito novo de trabalho, desenvolvo um diário. Esse diário é onde registro todo o meu processo. Com ele posso acompanhar minhas descobertas, verificar meus erros e acertos. Percebo também, com os registros, como o grupo se coloca frente aos problemas e desafios. Fazendo esse registro fica então para mim evidente quando leio, onde estão os defeitos e como vou melhorar o trabalho para um bom desenvolvimento de minha técnica.
Registro coisas que não entendo, os bloqueios que não sei identificar. Espero que com o tempo, com estudos e dedicação minha técnica pode se desenvolver mais rapidamente. Tem sido, para mim, muito importante estar com um grupo que queira se entregar a todas essa descobertas. Mesmo que haja desencontros, e muitas discussões, tudo é pautado pelo trabalho. Todos os integrantes querem entender algumas das possibilidades do trabalho do ator.
texto de Tatiana Duarte
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Minha pequena história
Posso dizer, praticamente, que foi dentro do Núcleo de Teatro que eu comecei a fazer teatro, ou estudar e pesquisar - assim fica mais correto, para mim -, algo que eu nunca fiz na vida, mas que de alguma forma me pega, que penetra nos sentidos e razões, que me liga a vida e a morte. Mostrando-me todas as faces, todos os espíritos, delitos e tudo aquilo que não tem nome, que está enraizado em mim, que me forma e me destróí.
Texto de Elias Pintanel
terça-feira, 4 de maio de 2010
Caminho teatral
Me chamo Tai Fernandes, sou natural de Bagé e vou falar resumidamente sobre a minha experiência com o teatro. Comecei, na minha cidade, com uma nova formação de grupo coordenado por Gladimir Aguzzi que é jornalista, escritor e trabalhou muitos anos como ator nos grandes centros, como Rio de janeiro e São Paulo. Participei, neste grupo, cerca de dois anos, apresentando: Pluft o fantasminha, de Maria Clara Machado e outras peças em forma de esquetes, escritas pelo próprio diretor. Logo, comecei a cursar Luzarte escola de atores, que tem sua sede em Santa Maria. Nesse curso profissionalizante, tinhamos aulas uma vez por semana, práticas e teóricas, com Vanessa Giovanella, tivemos aulas de televisão com alguns atores que trabalham em rede nacional como também aulas de técnicas circences com profissionais de todo o Brasil. Apresentamos três espetáculos: Cândida Erêndira e sua avó desalmada de Gabriel Garcia Márquez, o Divino Melodrama de Jacques Prevért e O Moço que casou com mulher braba de Don Juan Manoel, atualizado por Alejandro Casona. Esse curso teve duração de dois anos e seis meses. Após concluí-lo, mudei-me para Pelotas onde imediatamente fui recebida no Teatro escola de pelotas (TEP), onde estudei por mais dois anos e participei da montagem de alguns trabalhos como A mulher que criou asas e As Três irmãs, textos de Valter Sobreiro, essas esquetes faziam parte de um projeto chamado Os Saltimbancos da terra de Agahscar, dirigidos por Barthira Franco e Fabrício Ghomes. Neste meio tempo participei de algumas oficinas como: teatro do absurdo (Neimar Marcos), oficina de técnicas circences (João Bachilli), dramaturgia (Aceves Moreno), treinamento do ator através do bastão (Marcelo Bonnes), coros trágicos (Marisa Bentancur), construção coletiva (Igor Simões) e Corpo, criação e comicidade (Jorge Alencar). Então, passei no vestibular da UFPel para Licenciatura em dança, o qual cursei apenas um semestre, tendo estudado alguns conceitos de Rudolf Laban e Eugênio Barba. Em março de 2010 ingressei no curso de Licenciatura em teatro. No mesmo período entrei para o Núcleo de teatro, onde fazemos treinamento do ator, grupo de estudos (Stanislavski, Grotowski,Thérese Bertherat) e experimentos poéticos. É um projeto de extensão, porém trabalhamos com pesquisa do ator, da voz, da respiração, do corpo, da improvisação, das ações físicas. Minha apresentação termina por aqui com um trecho escrito por Caio Fernando Abreu que remete à minha atual pesquisa: "Sobrevivo todos os dias a morte e a mim mesmo, e sinto que como uma virilidade escorrendo pelas veias" .
Texto de Tai Fernandes
sábado, 1 de maio de 2010
Experiência Teatral
Meu primeiro espetáculo teatral foi no ensino fundamental de primeira a quarta série, estava na 3a ou 4a série e o nome do espetáculo era “O príncipe e o papagaio”, eu era um papagaio, preocupado em dizer o texto. A professora Eliane Gauze, que me dirigiu nessa peça foi a minha posterior diretora em meu grupo de teatro, Atlaspatoart, foi quem, aos dezessete anos reencontrei em uma oficina de teatro com duração de aproximadamente 8 meses, realizado pela prefeitura municipal de Pato Branco, ela era quem me dava novamente aulas de teatro, com duas aulas por semana de três horas, em outubro de 2005 apresentei uma peça de Jorge Amado chamada “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, foi uma experiência única, não no sentido de ser a melhor da minha vida, mas por ter sido realmente uma só vez, lembro-me de entrar no palco depois de uma colega ter repetido a cena duas vezes, eu dando as minhas “dançadinhas”, indo pra lá e pra cá com o corpo, com insegurança no texto. Nesse mesmo mês entrei para o Grupo de Teatro Atlaspatoart, o qual fiz parte até o final de 2009.
No grupo Atlaspatoart construí minhas principais experienciais em teatro com maioria das peças escritas ou adaptadas por minha diretora, e também de outros integrantes do grupo, nesse grupo continuei tendo um pequeno contato com dança também. Esse era um grupo patrocinado, contávamos, além da diretora, com a coreógrafa Ingried Muller.
No meu antigo grupo fui a diferentes cidades, e construí além de minha concepção teatral um ambiente familiar, onde tinha meus melhores amigos. Foram experiências, em palco italiano, na rua, teatro empresarial, animação de festas, além de trabalharmos com algumas técnicas circenses.
Também trabalhei na atual Escola Municipal de Artes de Pato Branco, antes Centro de Artes, como instrutor de teatro, circo e também iniciei o projeto de musicalização.
Hoje faço parte do Núcleo de Teatro Universitário da UFPEL, onde posso ter uma experiência ainda mais intensa do fazer teatral.

Lucas Brizola e Maurício Mezzomo, em Shakespeare a`La Brasil (Releitura de Sonhos de uma noite de verão), 2009, pelo grupo Atlaspatoart.
Texto de Maurício Mezzomo
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Prática teatral
A prática teatral modifica as pessoas.
Mauricio da Rosa Rodrigues
Maurício na montangem teatral do Núcleo "CRIAS", 2009.