segunda-feira, 21 de março de 2011

Intervenção artística no Theatro Sete de Abril




O Núcleo de Teatro, os alunos e professores do curso de Teatro-Licenciatura da UFPel e pessoas de teatro da cidade, compareceram na frente do Theatro Sete de Abril neste último sábado (19) para lavar simbolicamente a calçada do Theatro (utilizando baldes e vassouras - lembrando que não foi utilizado água na intervenção, apenas ações físicas simbólicas) .A manifestação teve como objetivo demonstrar o nosso descontentamento sobra a falta de clareza em relação a reforma do Theatro Sete de Abril.Mais precisamente sobre o modo controverso e, nos parecem com o descaso que o poder público municipal tem lidado com o fechamento de um patrimônio de grandeza do Theatro.



quinta-feira, 17 de março de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Um dia de trabalho no Núcleo

Estudos Pós- Fausto:

10h – 12h – Estudo e memorização do texto do Quadro 1.

Estudo Grotowski:

13h-14h – Livro Em Busca de Um Teatro Pobre:

­- Textos: Ele Não Era Completamente Ele; Investigação Metódica; O Treinamento do Ator (1959-1962).

Treinamento Físico:

14h – 17h

- 30 minutos de ensimesmamento antes do treino.

1) Alongamento:

-Alongamento do cóccix;

- Relaxamento das costas;

- Deitado, com a planta dos pés no chão, o máximo afastados, inspirando e expirando longamente, afastando e aproximando lentamente os joelhos;

- Deitado, puxar a ponta dos pés em direção ao quadril, e olhar a ponta dos pés, sem tirar os ombros do chão – em todos os exercícios de alongamento é importante manter uma respiração contínua, tentando relaxar os músculos em cada exercício;

- Deitado, com os pés apontados para o quadril, erguendo as pernas dez centímetros do chão e manter por um tempo, relaxar, depois 20 centímetros, depois 45°, relaxar, levantar as pernas 90° - tentando manter as pernas sempre retas e respirando -, invertida;

- Ponte;

- Cócoras – para relaxar a pressão na lombar;

- Sentado no chão, com uma perna direita à frente, colocando o pé esquerdo sobre a coxa direita, fazer rotações nos dedos do pé esquerdo e abraçá-los depois, mesma coisa com o outro PE;

- Sentar sobre os tornozelos;

- Sentar sobre os tornozelos: as mãos fechadas contra a sola dos pés estendidas. Levantando o quadril para cima, soltando a cabeça para trás;

- Sentar sobre os tornozelos um pouco mais afastados, e aos poucos tentando encostar as costas no chão;

- Em pé, com os pés juntos sentar no calcanhar abraçando as pernas; depois com as pernas levemente afastadas, na largura dos ombros, sentando nos calcanhares; abrir as pernas mais um pouco abaixando a pélvis o máximo possível;

- Afastar o máximo as pernas, soltar a cabeça pra frente, colocando as mãos no chão, depois os cotovelos, mantendo as pernas retas;

- Exercícios pra pelve (posição inicial - pés afastados na largura dos ombros, o peso do corpo no peito do pé, joelhos levemente dobrados, coluna ereta):

- Balançar a pelve para o lado esquerdo – fazendo rotações;

- Balançar a pelve para o lado direito – fazendo rotações;

- Balançar a pelve para frente e para trás;

- Fazer movimentos com formato de oito com o quadril, para todas as direções;

- “Rabinho de pato”, na posição inicial, com as mãos no joelhos, a coluna reta para frente, abanar a pelve;

- Ombros, na posição inicial, mexer os ombros para frente, para trás, para cima e para baixo, depois fazendo rotações com o ombro;

- Rotações para frente e para trás com os dois braços;

- Imitar um pássaro voando (abrindo e fechando os braços – começando lentamente até um ritmo mais forte);

- Alongamento do pescoço: para frente, para trás, para a direita, esquerda, e rotações.

2) Exercícios:

- 20 minutos de movimentos suaves e leves: o corpo começa a se mover levemente e suavemente, tentando manter um movimento contínuo sem parar, explorando torções corporais, planos, oposição – mantendo suavidade nos movimentos – aumento a velocidade;

- 5 minutos de corrida entre as janelas – correndo pela casa, pulando entre as janelas. Esse exercício fiz hoje pela primeira vez, para explorar pulos e quedas, além da resistência pulmonar.

- 30 minutos de dança-dos-ventos.

- 10 minutos de giro (5 para cada lado).

3) Exercícios Finais:

- Deitado no chão, o corpo totalmente relaxado, respirando calmamente;

- Alongamento das vértebras da coluna – utilizando duas bolas de tênis colocadas dentro de uma meia;

- Alongamento final das pernas: usando uma mesa, coloca a perna direita em cima da mesa, em paralelo com a outra, tocar os calcanhares da perna direta com as mãos, descendo a cabeça primeiro – fazer com a outra perna.

- De lado, colocar a perna direita na mesa, e tentar tocar com a mão esquerda o pé direto, passando o braço esquerdo em cima da cabeça, fazendo uma torção com o tronco – fazer pro outro lado.

- Em pé, pés juntos e devagar deixar a cabeça a cabeça cair em direção aos pés, com os braços soltos, e os glúteos também.

- Cócoras.

Obs: O meu treinamento esta sendo construído. Muitos dos exercícios aqui realizados já foram realizados por mim em outros treinos. Outros foram extraídos dos treinamentos do Odin Theater, do Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski, de exercícios bioenergéticos de Alexander Lowien e Leslie Lowien, assim como alguns exercícios de antiginástica de Therese Bertherat.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pós-Fausto: Objetivos

A idéia de fazer um solo parte da vontade de concluir ou de recomeçar o trabalho interrompido de “Diário de um louco” de Gogol em 2009/2 no Núcleo. Por termos sido expulsos e , conseqüentemente, perder o espaço sede naquele momento a montagem não se seguiu, cessando o processo já no seu começo.

Naquele momento encontrei algumas dificuldades e várias perguntas surgiram na montagem, que me perturbava. Eram perguntas do gênero: como começar uma cena? Aonde vou? Que faço? Como construir o cenário? Etc.

Seguindo os trabalhos no ano seguinte, no dia-a-dia, nas leituras, nas outras montagens em grupo, algumas respostas foram sendo respondidas. Mas a vontade de fazer algo sozinho ainda existia, como se eu não tivesse cumprido aquela proposta. Era uma sensação.

Aproveitando agora esse período de ‘férias’, onde o tempo e a disponibilidade é maior, propus fazer um solo.

Primeiramente pensei em começar o solo numa idéia de recusa ao texto. Algo ainda difícil de fazer, mas compreensível. Não tinha a idéia de como começar, mas vinham princípios de cenas na cabeça. Sem texto referencial, ou outra coisa do gênero.

Mas sentia a vontade de retomar o princípio de CRIAS. Começando uma reaquisição de técnica e de envolvimento maior, através do treino, e a montagem sendo construída ao mesmo tempo. E sendo período de férias entraria algo que gosto: solidão no trabalho. Tendo assim tempo, espaço e tranqüilidade em fazer as cenas, e se concentrar mais em mim. Experimentar e construir.

Além de aprofundar questões teóricas vistas em Stanislavski e, principalmente, Grotowski.
Sentindo a necessidade de fazer uma montagem sem um ar realista. Algo que extrapole. A minha visão de arte, não é a de copiar a vida como ela é - deixo para a vida esse papel -, mas uma leitura dela e a partir disso uma construção e aprendizado. Já partindo da idéia de não incorporar um personagem e, enfim...

Concluindo, minha idéia de solo era fazer ele. Apenas isso. Eu. Com a ajuda do Adriano. Mas essa solidão, esta liberdade de poder fazer, acredito que nas férias é o momento mais propício. Descobrindo possibilidades e problemas que possuo.

Os objetivos da montagem são:

1) aprimorar técnicas de ator, a partir das poéticas de Stanislavski e Grotowski;
2) realizar um trabalho solo, experimentando o estudo na elaboração e qualidades na execução da cena;
3) ampliar a prática e conhecimento teórico referente ao treinamento físico do ator;
4) experimentar novas formas de recepção, contrapondo com o teatro italiano e a imobilidade do espectador - no que se diz respeito a sua locomoção entre cenas e envolvimento com elas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Pós-Fausto


"Pós-Fausto" é o título do projeto de montagem iniciado em janeiro de 2011 por Elias Pintanel e coordenado por Adriano Moraes. O título revela duas referências importantes: a do mito do Fausto e as intimações das formas de teatro contemporâneas. Trata-se mesmo de um Fausto multifacetado, entrecruzado, fragmentado ao extremo.

Os principais símbolos desse pós-fausto são: o labirinto, o espelho, o livro, a taça.

Esses símbolos servem de ponto de partida para a costura dramatúrgica. São eles que agregam elementos que servirão de estímulos para as leituras do Fausto de Goethe, de Marlowe, de G. Stein, de P. Valéry, de Borges...

O processo está em sua fase inicial: treinamentos, estudos, esboços de estruturas, dramaturgia.


Seguiremos informando por aqui algumas de nossas descobertas do processo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Reflexão final: considerações sobre o trabalho



Por Mauricio Rodrigues

O trabalho do Núcleo de Teatro foi durante todo o ano sustentado por uma prática de treinamento de ator e experimentos cênicos. Estes experimentos tinham como referências principais dois teóricos: Stanislavski e Grotowski.

Neste ano participei do Núcleo de Teatro e senti que o projeto estava criando muitas demandas. Foi um ano com bastante trabalho e movimentos. Iniciamos o ano de 2010 trabalhando basicamente com treinamento de ator e estudos de textos teóricos. Logo depois montamos o espetáculo teatral “... E o gato não comeu!!!!!” e começamos a apresentá-lo em escolas e para escolas. Foi aí que surgiu o espetáculo-jogo, que é o atual formato da peça, onde explicitamos o jogo teatral, tendo assim um resultado mais pedagógico por mostrar para as crianças como funciona o teatro.

Fizemos várias apresentações na cidade de Pelotas e redondezas levando o espetáculo-jogo e mantendo esse diálogo com o público, sempre explicando o funcionamento do jogo, a fim de estimular as crianças à prática teatral.

Trabalhamos também com outra peça chamada “A História é uma História”, que foi dirigida por Elias Pintanel, nosso colega.

Para dar conta deste aumento de solicitações do trabalho o elenco trabalha no mínimo vinte horas por semana. Este tempo é dividido em ensaios, estudos, reuniões, organização do ambiente de trabalho, treinamento de ator, apresentações de espetáculos e oficinas.

Sinto que o ano de 2010 foi bastante produtivo. Acredito que o grupo teve muitos ganhos e progressos. Como a produção intensa. Considero o contato com as escolas e com as crianças o ponto principal no meio da extensão. Acho que a contribuição com a comunidade e com o próprio curso de Teatro da UFPel foi muito grande. O curso estará formando licenciados em teatro no próximo ano e este contato das escolas com o fazer teatral contribuirá e facilitará o trabalho desse grupo em sala de aula.

Acho que este ano a contribuição maior na minha formação de ator foi trabalhar com a flexibilidade. Tivemos vários problemas para serem resolvidos e tivemos de achar soluções. Foi bom para eu compreender que os trabalhos podem acontecer mesmo com esses obstáculos. O grupo se reunia e encontrava estratégias de trabalho. Acho que isto contribuiu com todo o elenco na área da improvisação. Aumentados nossas capacidades de jogo, acredito.

Considero que 2010 como um passo muito grande na formação de público, o que sempre foi uma das principais preucupações do projeto.

Espero que em 2011 esse trabalho continue andando e evoluindo. E eu acredito nisso.

Reflexão final: teatro e formação

Por Mauricio Mezzomo Dias

O trabalho no Núcleo de teatro da UFPel no período de 2010 se embasou principalmente em dois teóricos de fundamental importância para o teatro, Stanislavski e Grotowski. Uma das principais referências a partir deles foi o método das ações físicas, ainda assim ao final desse ano permanecem muitas duvidas sobre o que é ação física, alias, as duvidas têm sido as principais movimentadoras dentro do meu trabalho dentro do núcleo.

Além desses dois teóricos, fizemos estudos sobre a anti-ginástica de Thérèse Bertherat, que influenciou no percurso do treinamento de ator, que a principio eram realizados no mínimo três vezes por semana e depois foram diminuindo em função das apresentações, que vejo também como um processo de treino constante, que inclui a preparação corporal e vocal bem como o exercício constante do jogo teatral.

Compreendo o trabalho do núcleo a partir de uma série de exercícios diários realizados, como treino, leitura e reflexão de textos teóricos, organização do ambiente de trabalho, tudo isso parte de dois pontos que acabam por convergir, de um lado o trabalho sobre si e de outro o processo de grupo, duas experiências edificantes no processo de formação profissional e humana.

Vim a pelotas buscando um lugar para aprender e refletir sobre o trabalho que já vinha desenvolvendo no grupo de teatro que fazia parte. Chegando aqui, antes mesmo do começo das aulas já começavam minhas atividades no núcleo. Fui convidado a participar deste projeto por Rodrigo Rocha, que foi integrante do núcleo. Encontrei aqui o ambiente que satisfez meus anseios iniciais, não encontrei soluções, mas trabalho e fui ao longo do ano reconstruindo idéias sobre teatro e ampliando minha consciência de sua pluralidade.

Conceitos como movência e autonomia são principais no que tange a organização de todos os processos do núcleo. A constante mudança e a capacidade de decidir são exercícios absorvidos mais lentamente, talvez essa seja uma das dificuldades para o iniciado nesse processo.

No decorrer do ano apresentamos trabalhos como: “... e o gato não comeu!!!”, apresentado 38 vezes, além de “A História é uma istória” e “Comédia de improviso”, não só isso, também intervenções e até trabalhos que o processo foi iniciado, porém não levado a público.

Estive envolvido em todas essas apresentações e participei como músico, do espetáculo “La cantante,¿Por que no?”, aprendi e contribuí também com processos administrativos, produção e com a construção de alguns materiais gráficos do núcleo.

Sem duvida um dos trabalhos mais efetivos na comunidade e prazeroso de fazer, além de ter envolvido todo o grupo que esteve no núcleo por um período mais longo, foi o espetáculo “...e o gato não comeu!!!”, um espetáculo que não só levou diversão, mas que sofrendo uma transformação, passou a espetáculo jogo, uma forma de ensinar o teatro para todos, principalmente, “para crianças de 3 a 99 anos” na fala do coordenador do núcleo, Adriano Moraes.

2010 foi um dos anos mais produtivos em minha vida, no que diz respeito a formação profissional, e não contribuiu menos com a formação humana. Sinto que contribuí com um momento importante na história do projeto. Findo o ano de atividades e meu texto dizendo que estou feliz e com pessoas que fizeram o ano valer a pena.

Reflexão final: teatro é encontro


Por Elias Pintanel

Eles continuaram a me acompanhar: Stanislavski e Grotowski. Houve uma compreensão melhor de alguns aspectos das duas poéticas, graças às montagens feitas nesse ano e com as análises feitas em cima delas e de outras que vimos. O diálogo que se estabeleceu esse ano entre os membros do Núcleo Fez muita diferença para a absorção destas poéticas. Alguns livros que li esse ano me ajudaram também, como A Ostra e a Pérola da Adriana de Mariz, Diálogo sobre Encenação, Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski, entre outros livros, enfim, os comentários e as ligações feitas sobre eles... As leituras individuais que fiz junto as do Núcleo foram importantes nesse ano para realizar e entender melhor as montagens que fizemos e o nosso próprio trabalho no Núcleo.

Fizemos “...E o gato não comeu!!!!!”, “A história é uma história”, “Comédia de Improviso”, “La cantante porque no?”. Mesmo com as dúvidas que sempre estão vivas e corroendo, sinto que neste ano a montagem de um “personagem”, de uma partitura de ações, o envolvimento em ensaios e estudos, aconteceu de uma compreensão mais clara que o ano passado. Como os dispositivos para a criação do “personagem”, composição das cenas, marcas, uma compreensão do urdimento (algo que eu não sabia o que era, nunca tinha trabalhado num teatro).

Ter trabalhado no Teatro do COP esse ano me fez ter um outro contato com o teatro. O Palco. A Caixa Preta. O Urdimento. O Altar. Pela primeira vez eu apresentei uma peça num teatro à italiana. Ainda gosto mais do “não-palco”. Do espaço feito pela peça, pelo jogo, como em CRIAS, como na COTADA e na RECOTADA, ou como nas próprias apresentações do “gato” nas escolas.

O trabalho feito nas escolas foi muito interessante, por muitos motivos: o jogo sendo o foco principal, o trabalho do ator em relação a apresentação, se adequar ao espaço de apresentação, ao papel, a resposta imediata do público. Deixo aqui uma citação de Grotowski que fala que “Teatro é encontro”, ele diz isso no livro Em Busca de um Teatro Pobre, sentimos isso na pele. Era preciso estar inteiro em cena como Grotowski diz, para o jogo e o envolvimento acontecer, entre o ator e o público.

Mas foi muito bom, sentir a energia sendo trocada nas apresentações. O maldito Artaud estava certo! Nenhum gesto pode ser repetido! Em algumas apresentações A Peste entrava em rigor.

Uma coisa que gostei muito foi a eliminação de certos acessórios, figurinos e maquiagem. Está certo que o palco nu, a peça quase sem elementos cansa, mas com o “gato” não cansou. O jogo ficou gostoso. E colocar o corpo do ator em evidência, o seu trabalho, foi o mais importante. Outro momento para lembrar de Grotowski, que fala que o teatro pode existir sem figurino, sem maquiagem, sem luz, sem música, sem cenário, mas com o atr e o público. Foi bom poder experimentar e brincar com isso.

Tenho que falar sobre mim no trabalho. Mas não posso falar de mim sem falar de quem trabalhou comigo. Foi importante esse ano, uma nova forma de se ver o trabalho em grupo e de se colocar nele. A saída e entrada de pessoas no Núcleo teve o seu lado bom e que constitui os nossos caminhos, o que é óbvio, mas é preciso dizer isso. Sinto falta de um comprometimento do grupo por inteiro. Às vezes levamos, durante o ano, algumas pessoas de arrasto, era o que parecia, mas que me fez entender outra coisa também: a não firmeza e insegurança de dizer EU FAÇO TEATRO, mas sim, um ar de exibicionismo de pura idiotice de dizer isso sem realmente assumir o trabalho, e falar EU FAÇO TEATRO querendo ser a estátua douradinha do OSCAR sempre! Não tem problema em tentar conseguir... Mas vocês me entendem.

No começo do próximo ano vou focar o trabalho em mim. Explorar mais fundo o que Grotowski e Antunes Filho falam do trabalho do ator e seu envolvimento. Eu sei que vai ser um desafio, que vai ser difícil, mas se eu não fizer isso, eu continuarei com dúvidas, com um certo vazio, sem me por alguns limites, em risco, numa tensão, no silêncio, na solidão em público, vulnerável, exposto, despojado, em sacrifício...

Morre 2010, com muitas flores e sorrisos.

Nasce 2011, com todas as perguntas e incertezas.

Que assim seja!

EVOÉ!

Reflexão final: a descoberta de um teatro próprio

Por Laerte Sancho

Temos realizado um trabalho com alicerces “stanislavskianos” e “grotowskianos”, que nos levam a trabalhar a relação com o espectador, que buscamos atingir através da ação física. O foco do trabalho está na pesquisa teatral, onde experimentamos maneiras diversas de fazer teatro, sem fugir as bases, mas buscando sempre adaptações que preencham as necessidades que aparecem.

Além da função de ator, todos os integrantes do núcleo exercem diversas outras funções dentro do projeto, para que o mesmo ande, o que nos traz uma forte identidade de grupo e trabalha o senso de responsabilidade.

Ao “embarcar” no Núcleo de Teatro Universitário possuía e ainda possuo expectativas evolucionais teórico/práticas e de grupo, vejo hoje que o caminho a percorrer é longo e pode der árduo, afinal sempre temos obstáculo; e o maior deles, para mim é que devido a grande demanda de trabalho da época em que entrei, os grupos de estudo não aconteciam mais e a carga de treinamento havida diminuído, fora isso é claro que há a minha falta de técnica, há também esse tempo que desperdicei durantes anos sem estudo e sem aplicar o preceito mais difundido no núcleo, a autonomia do ator.

Hoje sou capaz de avaliar essa deficiência técnica graças ao trabalho realizado com meus colegas. Vejo a necessidade de me aprimorar, o que já estou buscando, finalmente exercitando o preceito adquirido.

Há o projeto escola itinerante de espectadores que funciona a partir do núcleo e tem como objetivo formar espectadores, mostrando-lhes o teatro de um podo que possam compreender sua importância e incentivando o interesse. Para tal usamos o espetáculo-jogo “... e o gato não comeu!!!” que tem o jogo todo explicito para assim ensinar sobre o fazer teatral as crianças, suas espectadoras; isso se soma a outros projetos e trabalhos realizados durante o percurso. Meu modo de contribuir com o trabalho tem sido com a pratica do trabalho de ator e de outras funções que apareceu, me preocupo com bom andamento do projeto, então ajudo com o que posso, penso que cada um contribuindo com pequenas coisas continuaremos a crescer, tanto individualmente como em grupos e em comunidade, onde temos feito muitos progressos.

Nossa relação com a comunidade tem caminhado a passos largos e tenho uma visão de um horizonte promissor.

Penso no trabalho realizado como exercícios dos mais diversos tipos como tudo o que venho dizendo até aqui inclusive essa reflexão mesmo; tudo o que tenho trabalhado me leva a crescer e de algum modo me dá o impulso para a realização de minhas expectativas iniciais de evolução. Desde a convivência com o grupo até a convivência comigo mesmo dentro do grupo me refletem bem além da superfície, com que estamos acostumados a nos ver, o que me leva a uma sensação incrível desse crescimento.